terça-feira, maio 29, 2007

Conversa de doidos

9H56 - Autocarro 26
do outro lado da coxia, um tipo na casa dos 40, anafado, parecia um vulgar exemplar do típico português. Às tantas faz um telefonema, daqueles aos berros, ao ponto de se ouvir em todo o bus, o que, ainda mal imaginando o teor da conversa, já se revelava suficientemente irritante
- 'tou pai, sou eu. Dá o chá à mãe, se ela quiser. Não... não, está bom. Foi feito ao lume!
(foi neste ponto que a minha atenção se distraiu da leitura da Visão. Terei ouvido bem? "um chá feito ao lume"?, uau!)

mas eis que o homem continuou a berrar, concluindo:
- Vá, pai, olha já estou no manicómio, beijinhos
....
tal afirmação merece contemplação... porque das 2 uma, ou o senhor ia mesmo para o manicómio e mentiu ao pai dizendo que já tinha chegado (o que não me tranquiliza nada) ou ele é um adepto das metáforas no que toca a descrever a sociedade onde nos movimentamos...
só sei, que o silêncio naquele autocarro foi sepulcral nos minutos seguintes... e enquanto o dito senhor não escolheu uma paragem para se apear foi como se todos fossem pedindo licença para respirar...

terça-feira, maio 08, 2007

Dica da Semana

Se e quando forem até à cidade do Porto recomendo a passagem por 3 locais de ambiências bastante diferentes mas que ilustram as múltiplas facetas desta cidade que, a meu ver, só perde pontos para Lisboa em termos de luminosidade e afabilidade. Primeiro visitem o espaço Artes em Partes, um prédio de 3 andares que em cada divisão habitacional alberga lojas de roupa streetwear e vintage, joalherias, lojas de decoração, de discos e livros alternativos. No piso térreo há um salão de chá de inspiração oriental que não podia ser mais romântico. Cá fora, no páteo, há puffs e cadeiras de bambu debaixo de árvores para se partilharem segredos.
Depois visitem a livraria Lello, "a mais bela do país" e é bem verdade. Uma escadaria em caracol duplo e vitrais lindos, lindos são alguns detalhes deste local onde os livros acabam por ser um mero acessório. Parece que estamos dentro de uma igreja, de um verdadeiro monumento.
Por fim, virem a esquina como quem desce para a Avenida dos Aliados e numa modesta pastelaria (não me lembro o nome mas fica do lado esquerdo da rua) babem com uma tosta de queijo, maçã ou banana e canela. E pronto está completo o mini-roteiro

Uma questão de parentesco

Devia ser instituído que os filhos dos nossos primos fossem nossos "sobrinhitos" e não "primos em 2.º grau". Desculpem lá mas faz-me impressão olhar para um ser com baba a escorrer pelo queixo e agarrado a um cobertor e chamar-lhe "primo/a". Os verdadeiros primos são aqueles com quem fazia tropelias em criança, como esconder-me da minha avó atrás do sofá e dar com ela em louca à nossa procura; são aqueles com quem partilhei as minhas primeiras idas à discoteca; são aqueles que no máximo têm de mim uma diferença de 10 anos.
Já os "sobrinhitos" são coisinhas lindas com voz de bebé, que apetece pegar ao colo e contar histórinhas. São os filhos que ainda não tivemos, tal como acontece com os filhos das nossas melhores amigas. É que a expressão "primos em 2.º grau" faz-me sempre lembrar aqueles parentes (é essa a designação ideal!) que encontrava ocasionalmente quando passeava na rua com a minha mãe, senhoras de cabelo armado e senhores distintos de fatos a rigor, muito íntimos da minha mãe sem que eu entendesse muito bem porquê, e de quem era obrigada a receber beijinhos lambuzados e elogios do género "ah, é tal e qual a mãe/pai". Bah! No way que gostaria de passar essa imagem aos meus "primos em 2.º grau"! por isso a partir de hoje assumo... tenho sobrinhitos e não "primos em 2.º grau"... tenho muitos, por sinal, 10 a caminho de 11... uma equipa de futebol, portanto ;)